quinta-feira, 26 de junho de 2008

AOS VINTE E SETE

No último dia quatro de junho, completei 27 anos. Digo isso, e pode parecer bobagem, mas é que o 27 é o mais cabalístico dos números, fato desconhecido pela maioria das pessoas. De acordo com a numerologia, o 27 significa transição de um estágio. Os especialistas dizem que a cada nove anos os indivíduos experimentam uma transição na vida, e que o 27 é a idade da passagem.
O poeta, músico e compositor Noel Rosa morreu em 1937, ano em que completaria 27 anos. Deixou mais de duzentas músicas compostas sozinhas ou em parceria, das quais, pelo menos a metade, é de composições que marcaram a história. No mesmo ano, morreu o poeta coreano Yin Sang, quando estava prestes a completar os fatídicos 27, caso não sucumbisse à tuberculose, grande mal da época.
No ano de 1938, morreu o músico e pai do blues, Robert Johnson, exatamente aos 27 anos. O músico do Mississipi reinventou o blues com novos acordes e harmonias. Diz a lenda que ele fez um acordo com o diabo, dando-lhe a alma em troca do talento musical, fato assumido em várias canções de Johnson e, também, no filme “A Encruzilhada”, cuja história é baseada na vida do músico.
O poeta e jornalista piauiense Torquato Neto, o anjo torto, pai do movimento da tropicália no Brasil, abriu o gás aos 27 anos. Deixou inúmeros textos e músicas, muitos escritos em parceria com Gilberto Gil e Caetano Veloso. E foi aos 27 que jogaram a toalha os músicos Jim Morrison, vocalista do conjunto The Doors e Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, ícones do rock mundial. Morrison foi encontrado morto pela namorada na banheira de seu apartamento em Paris. Os exames apontaram ataque cardíaco por overdose de heroína. Já Cobain suicidou-se no ápice da fama, com um tiro de espingarda na cabeça. O corpo foi encontrado por um eletricista que arrombou a janela do músico, após desconfiar que havia “algo errado”. Ao lado do corpo estava uma carta, escrita com tinta vermelha, endereçada a mulher e a filha.
No ano de 1970, dois músicos de renome no cenário mundial bateram as botas, ambos aos 27: o guitarrista Jimi Hendrix, que morreu, supostamente, asfixiado pelo próprio vômito, e a cantora Janis Joplin, por overdose de heroína. Um ano antes, mas também aos 27 anos, o ex-integrante do conjunto Rolling Stones, Brian Jones, foi encontrado morto, boiando na piscina de casa.
Também, o poeta português Mario de Sá Carneiro se matou aos 27, em um quarto de hotel. Ele tinha a mesma idade do poeta austríaco George Trakl quando morreu. E foi na casa dos famigerados 27, que o poeta e compositor inglês Nick Drake pediu a conta.
O fato mais curioso ocorreu com o ex-Beatle Paul McCartney. Existe um boato em que o baixista teria morrido em um acidente aéreo, aos 27, e logo em seguida substituído por um sósia. Mas boatos são só boatos.
A própria morte de Jesus Cristo, ocorrida na sexta-feira santa, se analisada de acordo com o calendário Juliano, foi em um dia 27 de março. Também em um dia 27, do mês de julho, morreu em Lisboa o ditador António de Oliveira Salazar.
Muitos outros deixaram a história aos 27, como o pioneiro do rock inglês, Frederick Heath, mais conhecido como Johnny Kidd e Gary Thain, ex-integrante da banda Uriah Heep, assim como o diretor de cinema romeno, Cristian Nemescu, premiado no 60º Festival de Cannes pelo filme "California Dreaming".
Como disse, acabei de completar 27 anos e, até onde se sabe, continuo vivo.

Lucas Palhares tem 27 anos e não recebeu prêmios em concursos de poesia; nunca publicou um livro sequer; não foi citado em nenhuma tese de mestrado; não ganhou o segundo lugar no concurso de poesia; ficou longe do terceiro lugar; não publicou seus poemas nem no jornalzinho da escola; escreveu músicas que nunca serão cantadas; não teve nenhum trabalho adotado para o vestibular da Federal, muito menos ganhou uma menção honrosa no concurso de poesia; plagiou seu próprio texto; não conseguiu agradar nem a própria mãe com seu trabalho, nunca foi um escritor de verdade e faz bicos como jornalista para sobreviver.

Inspirado no livro “O Ego Excêntrico”, de Makely Ka, escrito quando o autor estava com 27 anos

4 comentários:

Ewerton Martins Ribeiro disse...

Puta merda. Completo 27 dia 13 de novembro próximo e também não publiquei nada até hoje. Putz... ô vontade de largar emprego, graduação e farra para me enterrar em casa nestes meus últimos cinco meses para terminar meu livro...

Bem: vou ficar na vontade. Belo texto. Abraço.

marden disse...

Não sei se é questão de vantagem mas, já tenho um livro publicado. O foda é que completo 27 no dia 27 (putaquepariu!) e (pasmem!) ...de AGOSTO!

Mais cabalístico impossível!

Irmão, aparece logo pra gente comemorar o que me resta dessa peleja aqui!hahaha

Gostei do "poesiadecoisanenhuma"... Tô mandando uma foto dukaralho pra combinar. Se quiser, encaixa aí no cabeçalho!

abração, grugumilo!

Marco Aurélio disse...

pocha eu fiquei meio preocupado pois to indo pro 26 aniversario.hehehe..mas quando vc diz que escrevestes musicas que nunca vao ser cantadas, nao pense assim!!..estamos escolhendo o repertorio do nosso disco quem sabe uma parceria infocus e lucas heim...hehe abracos..depois passa no nosso blog

www.bandainfocus.com.br/blog

danúbia disse...

Muito bacana!!!

Ainda bem que não tenho nada relacionado com o número 27, é algo assustador.

Mas, se analisarmos nem 20% disso ocorreu com mulheres. Então, os homens que abram os olhos.

bj. palha e t+